segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Shakespeare & Company, o lugar do escritor.


Teoricamente é uma livraria especializada em livros escritos em inglês, mas Shakespeare & Company é bem mais do que isso, é um desses endereços especiais que faz sua viagem a Paris ficar ainda mais interessante.

Instalada bem ao lado da Ilha onde está a Catedral de Notre Dame, uma visita a livraria parece mais uma viagem ao tempo. Deve ser por essa mistura de realidade com a fantasia que uma boa leitura nos trás, ou pelo ambiente nostálgico, que nos remete ao século XIX ou quem sabe, abusando um pouco da imaginação, você tem a sensação de encontrar o próprio Shakespeare num dos vários corredores da loja. Para quem tem uma boa relação com a leitura, visitar essa charmosa livraria é uma experiência inesquecível.

O escritor inglês, além de ser um grande inspirador para os amantes das letras, não deu mais que o nome para a livraria, mas outros que compartilham com Shakespeare o mesmo metier tem bem mais a ver com este lugar.

Hemingway, por exemplo, era um frequentador durante o tempo que morou na capital francesa e citou a livraria várias vezes em seu romance "Paris é uma Festa", sobre sua vida na cidade durante o período entre as duas grandes guerras.

A verdade é que o endereço visitado por tantos personagens que fizeram história na literatura e nas artes como: Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Man Ray e James Joyce, já não existe mais, foi destruído pelos Nazistas durante a ocupação, na segunda guerra mundial. Esta loja atual foi uma homenagem que a cidade recebeu. A original foi aberta em 1919, por Sylvia Beach a editora que publicou "Ulysses" em 1922 a grande obra de James Joyce, que tinha sido proibido nos EUA e na Inglaterra.

Hoje é também um local que acolhe estudantes de literatura, vindo de países que falam inglês. Eles moram no local e, como forma de pagamento, trabalham algumas horas na loja, uma verdadeira escola para escritores.

No filme "Antes do pôr-do-sol" é ali que Jesse, que está em Paris para lançar seu livro, dá autógrafos.

A sensação que tive quando entrei na loja foi mesmo de estar fazendo parte de um mundo que não anda muito disponível por ai, era como se, depois de fechar a porta de madeira que me separava da calçada eu tivesse entrado num mundo paralelo e nem as as roupas dos pessoas que circulavam por ali me trazia de volta pro século XXI.

Fiquei um tempão vendo um livro do fotógrafo Brassai, sobre Paris. Depois subi as escadas e fui até o andar de cima, uma espécie de biblioteca. Na escada uma placa te convida a subir, entrar no clima e ler o tempo que quiser os livros ali disponíveis. Se não bastasse, caso vc tenha uma dom especial para música, o piano propriamente dito, você pode fazer uso de um que fica a disposição.

Tive sorte, durante todo tempo que fiquei andando, fotografando, lendo, uma jovem de não mais que 20 anos, tocou completando ainda mais meu delírio.

Quando sai de volta ao mundo real encontrei uma Paris toda branca, tinha nevado durante todo o tempo que eu estava na Shakespeare & Company, o cenário continuava a contribuir com minha imaginação de sonhador...

5 comentários:

Daniela disse...

Re, acho que foi na Piauí que li sobre esta livraria. Uma bela história... Adorei seu post. Estou indicando seus textos do meu Twitter e já vi gente dando RT... beijos e aproveita ai seu sobrinho. Ps. Adorei as fotos do orkut

Eder Alex disse...

Muito bacana. Eu ainda não tinha visto fotos do interior da livraria (só a cena do antes do pôr do sol). Que lugar maravilhoso!

cumbucacheia disse...

Adorei a última foto! Tá sendo meu exercício diário para viver mais feliz. Tá muito bonito o seu blog.
Beijos

Anônimo disse...

Que fotos maravilhosas, meu amigo!!! Muito bonito o quadro que vc pintou no reflexo do espelho. E a da máquina de escrever, uau, parece a capa de um livro de romance negro... Mais uma das suas grandes fotos. Linda, perfeita.
Beijo grande,
Cris

Nan Humeniuck disse...

Renato...

tá uma delícia de ler e ver suas impressões sobre Paris!
nos propiciando sensações e aromas! qto a entrada secreta da livraria me lembrou a plataforma 9 1/2 da estação de trem p/ Hogwarts, rs

bj