sábado, 9 de janeiro de 2010

Paris e a difícil tarefa de chegar ao destino.


Uma das coisas mais comuns de acontecer em Paris é você chegar a noite no Hotel e perceber que não fez nem metade das coisas que tinha programado. É muito fácil se distrair, a cidade é tão bonita que se você não for persistente acaba se perdendo e desviando a rota. Isso não é, de maneira nenhuma uma coisa ruim, acaba sendo até mesmo uma diversão.

Hoje porém eu tinha um compromisso, uma visita ao museu Quai Branly, um dos mais interessantes e modernos do mundo. Marquei com o assessor de imprensa às 11h. Acordei cedo, fui até o bistrô da esquina e tomei meu café da manhã olhando pra rua e vendo a neve cair.

Estou relativamente perto do museu, que fica ao lado da Torre Eiffel. Pensei em ficar mais tempo no café, mas lembrei que possivelmente eu encontraria o que fazer no caminho e tratei de sair rápido. Paguei o equivalente a quase R$15 por um café com leite e um croissant e sai, me esforçando muito para não blasfemar... como as coisas andam caras por aqui!
Desci na estação Passy, na linha 6 que vai para Charles de Gaulle Étoile, onde uma parte da linha vira metrô de superfície e se tem uma ótima vista da região da torre. Pronto, a brincadeira estava começando.

Tive que tomar muito cuidado para não atrasar, pois a cidade estava belíssima. Nevava um pouco, nada que incomodasse e comecei a percorrer uma das regiões mais charmosas de Paris.

Quando me perguntam porquê escolhi a fotografia como profissão, sempre penso que é por ela me dar uma grande desculpa para poder fazer as coisas que gosto, me aproximar das pessoas, viajar mais, enfim é uma grande e fiel companheira. E hoje foi uma boa demostração de que esta história é verdadeira. Eu quase não consegui sair dali. Encontrei um pessoal da televisão daqui a procura de pauta sobre o clima, um casal de namorados da Polônia veio falar comigo, perguntando pra que jornal eu trabalho, além de risos, olhares complacentes dos inúmeros visitantes de Paris nesta manhã fria de inverno.



Consegui chegar ao museu, que é realmente impressionante, passei quase todo o dia por lá, mas ainda tive tempo e disposição para visitar outro museu que há tempo eu queria ir, o Marmottan Monet, onde está o quadro que deu nome ao movimento impressionista, o "Impression, soleil levant", que Monet pintou em 1873, falo dessas visitas num outro post.

As ruas de Paris parecem ter ímãs, uma te leva a outra que te leva a mudar o caminho e gostar tanto do que acabou de encontrar que nem lembra mais o que estava procurando e assim ao final do dia não te sobra energia pra quase mais nada, além de dormir e esperar, ansioso, que chegue logo amanhã e comece tudo de novo.



“Só me sinto bem em liberdade,
fugindo dos objetos, fugindo de mim mesmo...
Sou um verdadeiro vácuo, embriagado de orgulho e translúcido...
Como o mundo que quero conhecer a fundo.”
Jean-Paul Sartre.

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma amiga me indicou seu blog. Nossa, não esperava que fosse tão bom. Tanto as fotos como o que você escreve é para gente refletir muito. Parabéns, espero que continue escrevendo, vou te seguir.
Abraço
Rosana Amorin

cumbucacheia disse...

Não consigo pensar numa atividade que mais te traduza do que viajar. Nos conhecemos viajando. E eu que pensei que morar em Londres seria a viagem da minha vida, depois que te conheci você me levou a lugares inesquecíveis. Ah, Paris!! Bj