quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Muita Neve em Londres


Com muita sorte chegamos em Londres um dia antes da grande nevasca. Caso contrário teríamos que sofrer com o caos que fica o país nestas circunstâncias. O voo fez conexão em Munique e, bem provável, ficaríamos por lá um bom tempo até os aeroprotos voltarem a abrir. Já na Inglaterra deu até tempo de visitar o palácio de Windsor e ver de perto a ostentação da família real.

Quando voltamos pra Londres, onde vive meus irmãos, já chegavam as notícias do clima. Estava previsto muita neve a partir da meia noite de ontem.
Hoje o país inteiro estava branco, pra quem acaba de chegar de um país tropical, onde qualquer sinal de neve no sul vira notícia nacional, a novidade era, no mínimo excitante.

Fui dormir ontem olhando para a janela e vendo a neve cair. A intenção era acordar cedo e sair fotografar, mas faltou coragem, preferi ficar olhando de dentro de casa e acompanhando pela televisão.

Embora o caos que uma nevasca causa, é difícil ficar indiferente. Num parque, aqui perto, na Zona 6 de Londres, vi crianças brincando de bola, fazendo bolas de neve, até andando sem camisa. A paisagem de tirar o fôlego, tudo em preto e branco e um vermelho de vez em quando para quebrar a monotonia.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Como preparar uma viagem


Desconfie sempre de quem dá conselhos de viagem, se você é daqueles que faz de uma experiência fora de casa uma grande diversão, com certeza vai querer ter suas próprias escolhas e, sem desmerecer os que adoram dar palpites ‘certeiros’ sobre o que é bom ou não num determinado lugar, cuide você das escolhas que fará durante seus dias como turista. Digo isso pois ando cansado de certos comentários que não tem nada de útil, não passam de clichês. Paris?? Ah, muito bonita, mas os franceses... Estive não sei quantas vezes na capital francesa e confesso que em São Paulo sofro mais hostilidades do que lá, mas é quase tão certo como a existência da Torre Eiffel que você ouvirá essa sentença sobre Paris.

Não quero discutir aqui a veracidade deste comentário, mas, quero dizer que há muito mais coisas interessantes para se concentrar numa visita a Paris, do que ficar nas velhas e ultrapassadas ideias.

Tá certo, vivemos na era dos lugares comuns, hoje todo mundo sempre tem que ter uma opinião (não importa quão rasa seja) de alguma coisa, e quando o tema é dicas de viagens, pronto a salada está feita.

Falar de viagens é quase tão divertido como viajar. O problema é que a grande maioria das pessoas não querem ouvir. Já presenciei a cena de entre um grupo de amigos, uma das pessoas sair da mesa, porque íamos começar a falar sobre viagens... Os motivos são vários, na cultura de país colonizado como o nosso, para muita gente viajar é esnobar, um meio de ser melhor que o outro.

Para mim é quase uma necessidade, uma maneira de me renovar, alimentar o lugar em minha alma onde vive a paz de espírito, a inspiração.

Um dia desses passei um tempão na Fnac falando sobre minha experiência no Nepal, para um casal que estava ao meu lado procurando um guia sobre o país.

Sempre gosto de repetir que para mim determinado lugar foi bom, ou, caso não tenha sido, deixo claro que aquilo serve pra mim e ponto, vá com o coração aberto para aceitar o novo, o desconhecido. Às vezes me pergunto se realmente gostei tanto da viagem, pois sempre conto as coisas boas, é como se viajar fosse a chance de fazer tudo dar certo, de transformar um desconforto numa história engraçada, uma noite mal dormida num trem claustofóbico na Índia num dos meus posts mais lidos.

Amanhã parto para mais uma viagem. Desta fez Londres e Paris. Gosto muito de visitar lugares novos, mas estas duas cidades são quase como voltar pra casa, pois já morei em ambas. A empolgação no entanto é grande. Estive em Londres há menos de 1 ano e meio, mas Paris não visito desde 2002.

Se você já esteve numa dessas cidades sabe que a cena muda quase que toda semana, como diz o poeta: “Quem está cansado de Londres, está cansado da Vida”. Paris no entanto sempre será uma festa, Hemingway estava certo ao consagrar a cidade num dos melhores livros sobre Paris e olha que são muitos.

Gosto muito de, antes de viajar, pesquisar o que tem de novo na cidade. Paris por exemplo tem vários museus que inauguraram depois de minha última visita. Já fiz um tour virtual no museu da arquitetura e de arte moderna, ambos próximo ao trocadero e no tão comentado museu Quai Branly - www.quaibranly.fr.

Preparar uma viagem pesquisando é uma das maneiras de ir ao encontro do que realmente te interessa e, caso entre numa cilada não poderá culpar determinado amigo que te deu uma dica furada.

Uma boa maneira de ir além das sugestões dos guias de viagem é procurar entender a cidade, sua história. Para Paris isso é fácil, muitos do grandes acontecimentos passaram por lá. O cinema que você tanto gosta, foi inventado onde? E a fotografia? E aquele restaurante que você foi e gostou tanto, a base da gastronomia praticada hoje em dia vem de onde?

Antes que isso fique francófilo demais, deixo aqui um comentário, se me permitam, viagem sempre, caso essa seja mesmo uma vontade sua, e das poucas dicas que gosto de repetir é a do Poeta Argentino, Borges, “Se eu pudesse viver minha vida novamente eu viajaria mais...”

A partir deste post vou tentar dar sugestões de literatura, ou endereço, alguma coisa que possa facilitar sua vida de viajante, mas sempre lembrando que isso foi interessante pra mim, com prazer compartilho com vocês, mas procurem sempre a sua real viagem, o que de fato te agrada.

Livros:

“Paris é uma festa”, de Ernest Hemingway

“Os anos loucos”, de William Wiser, sobre Paris nos anos 20.

François Truffaut uma biografia” de Serge Toubiana Antoine de Baecque, uma verdadeira radiografia da cidade no após guerra.

“Sartre uma biografia”, de Annie Cohen-Solal. Muitas histórias que se passam na cidade, destaco as reuniões de escritores em hotéis tentando organizar um movimento contra os alemães, durante a ocupação, na segunda guerra.

“Europa, reportagens apaixonadas”, de Ronny Hein. 03 crônicas interessantes de Paris.

Escritório nas férias

domingo, 26 de julho de 2009

Um dia Perfeito



Sexta-feria consegui tempo no final do dia e fui ao cinema. O clima estava terrível, chovia muito e São Paulo, para muitos, agonizava. O bom de uma cidade, de ser cidade, é que depende sempre do ponto de vista de quem esta nela. Pelo menos uma pessoa, este que vos escreve, estava gostando daquele estado de caos das coisas.

Foi assim, com este espírito ‘revolucionário’ que comecei meu fim de semana. O filme, bom o filme foi mais um dos bons filmes franceses em cartaz na cidade "A Garota de Mônaco", nada porém que mudasse alguma coisa no meu estado de espírito, nem para melhorá-lo ou me fazer sentir mais triste.

No caminho para casa, passei no mercado para abastecer os dias trancado na toca. Motivos eu tinha para isso, dois livros destes que ficam em pé na estante para ler e mais um de poesia, para as horas vagas, o banheiro...

Trancado num apartamento no alto de uma colina no bairro da Vila Madalena tive um encontro comigo de alguns anos atrás. Encontro com a pessoa que fui um dia e com a que não fui também. Com a vida que desejei ter vivido enquanto fazia de meu quarto adolescente uma infinita possibilidade de histórias, personagens e vida.

Estou lendo o relato da tragetória de Renato Russo em contraponto com a história da construção de Brasília e o que veio depois: "RR O Filho da Revolução". Tempos estes de falta de liberdade e o que acontecia numa parte importante do Brasil durante a ditadura militar.

O importante é que o livro é bom demais. Acho que o autor, Carlos Marcelo (que nasceu no mesmo ano que eu), fez um favor enorme às aulas de história brasileira. Sem o ranço de muitos dos inúmeros filmes ou livros que falam do período, ele escolheu contar, e conta muito bem, sobre um dos períodos mais complicados do Brasil alterando com a história do grande ídolo pop, Renato Russo. Quando começa a ficar insuportável os absurdos dos velhos do poder, ou dos filhos do poder que com carteiras de identidade especiais podiam tudo, mudamos a página e encontramos um Renato ainda Manfredini na sua epopéica formação. Os primeiros passos do ídolo que seria uma companhia indinspensável para o roteiro de muitas histórias, um poeta que criaria letras que ajudou muita gente da minha geração a entender um pouco melhor a vida, mesmo que anos depois eles não tivessem ideia do que fazer com isso.

Da janela tenho uma vista privilegiada da cidade. Comprei uma cortina preta, com flores brancas que passa a maior parte do tempo aberta. E não foi diferente neste fim de semana frio e chuvoso.

O outro livro fala sobre a cidade e faz parte de um certo compromisso, pois faço um trabalho sobre o tema e fui buscar inspiração. Paisagens Urbanas, de Nelson Brissac Peixoto, que foi coordenador do projeto Arte/Cidade, nos anos 90. Em cada capítulo uma discussão sobre a cidade, uma maneira diferente de pensar a arte e, conseguentemente, muitas ideias dançavam em minha mente embaladas por música urbana. “... A poesia então nasceria da compreensão da incapacidade das palavras darem conta da paisagem. Ela torna disponível à invasão das nuances, torna passível ao timbre: é a escrita da descrição impossível”.

No fim da tarde fazia um frio danado, fiz uma sopa de legumes, dei uma cochilada de quase uma hora, já tinha anoitecido às 5 da tarde. Naquele acordar sonâmbulo de um dia como esses, eu não sabia ao certo aonde estava, se era em Tupãssi, trancado num quarto onde eu colocava um beliche na porta, pois minha mãe tinha sumido coma a chave, ou se era numa tarde de um dos 4 invernos que passei na Inglaterra, quando eu ainda tinha esperança de que o amor é mesmo uma boa companhia... mas aos poucos a realidade estava de volta, a flor branca da cortina preta me trazia de volta...
Através da janela vi uma cidade encoberta pela neblina...

“Though we rush ahead to save our time
We are only what we feel...”
Da música cantada pelo Legião Urbana: On the way home

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Miguel Rio Branco no Japão.




"Numa angústia fervilhante, das profundezas à superficie, da esquerda para direita, perdendo algumas vezes a noção certa de equilíbrio, de cabeça para baixo ou de lado, de olhos esbugalhados e olhar vazio, a boca com aqueles dentes engraçados, inaptos a gritar pelo horror que movimenta freneticamente o outro lado da parede do vidro. Eles lhe abrem e retiram o veneno, sua única defesa contra o mundo nem sempre suave... e alguém lhe come... Devo dizer que maior parte de minha vida, passando por diferentes sociedades, me senti muitas vezes na posição de um voyeur aprisionado, dentro de algum tipo de jaula, olhando para o mundo através de um vidro espesso, mas com a diferença que eu sempre pude canibalizar as outras culturas"
Miguel Rio Branco.

domingo, 19 de abril de 2009

Have a coffee?


Em toda grande cidade encontramos alguns refúgios, pra entrar e esquecer da agitação da vida do lado de fora. Em São Paulo, bem no começo da Avenida Paulista tem um café, no décimo quinto andar do Prédio do Sesc Paulista. Depois de passar por uma entrada cheia de fotos de peças que já foram realizadas nos Sescs de São Paulo, o visitante encara um elevador apertado com várias dicas escritas nas paredes de que tal economizar energia, ajudar o planeta e ainda por cima se exercitar? Como? Simples, usar mais as escadas.

Vamos aceitar a ideia aqui de que pra se ter direito a um oásis você precisa de algum esforço. Apesar de que na última vez que estive lá, o sacrifício veio depois, na mais de uma hora que enfrentei de trânsito para ir do começo da Avenida Paulista até a Vila Madalena, mas suponhamos que você não viva numa cidade em que precise encarar vários desafios diários e, caso ainda precise de um pouco de sofrimento para chegar ao refúgio, ok, encare as escadarias e vamos logo tomar nosso café com vista.

Cheguei lá num fim de tarde desse outono luminoso e colorido. Enquanto esperava minha vez na fila do caixa fiquei observando o ambiente, umas mesas de madeiras, algumas pessoas sozinhas, lendo, outras em rodas de bate papo. O sol entrava por uma janela que vai de fora a fora, iluminando o contorno das pessoas. Peguei meu café e fui para área de fora. Fazia um frio danado que me deu um bem estar gostoso e comecei a fazer algumas fotos. Como não estava a fim de me aborrecer, tentei ser discreto, pois em São Paulo tem uma cultura de quanto mais difícil for fotografar em alguns lugares melhor é. Qual fotógrafo nunca foi barrado por algum segurança ou funcionário de algum estabelecimento que com um inexplicável prazer vem te dizer que é necessário pegar autorização antes? A tarde estava linda demais, eu estava num dos meus melhores momentos desta semana e não queria dar chance que nada mudasse isso.

Este lugar junta duas das coisas que gosto muito. Uma, de ver a paisagem de cima, talvez por eu ter crescido numa cidade que o maior prédio tinha dois andares; e a outra de ir a cafés, por todos os lugares que vou sempre quando quero relaxar procuro um café bonito para me esconder. Isso porque só comecei a tomar café com 27 anos, quando morava em Londres e durante os invernos gélidos precisava chegar às 7 da manhã para abrir a catering que eu trabalhava e preparar o café para as funções da manhã. Fui facilmente seduzido pelo cheiro forte da bebida, que depois disso nunca mais parei de tomar.

O café é gostoso, tem um preço justo, te oferecem revistas e jornais e do alto de uma das principais avenidas de São Paulo você pode fazer de conta que não tem nada a ver com aquele caos que tão tranquilamente observa.

domingo, 12 de abril de 2009

A viagem continua...

Foto feita do alto do Edifício Martinelli, no centro de São Paulo.


No começo do ano resolvi postar neste blog imagens de São Paulo, a cidade em que vivo. Com base no livro "Viagem à Roda do meu Quarto", de Xavier de Maistre, me propus a visitar a cidade, fotografá-la e postar aqui meus comentários e impressões. Não tem sido uma tarefa fácil. Como eu já previa, quando se tem outras tantas coisas para fazer, parar e observar a cidade não é tão tranquilo assim... pelo menos não na intensidade em que eu acredito que devam ser essas observações, ou seja, como se trata de um blog de viagens, quero poder falar com a curiosidade de um viajante.
Mas tem sido um bom exercício, uma maneira de entender melhor quais as razões de ter escolhido esta cidade para viver e também o porquê de estar aqui.

Terminei o livro, comecei outros que me levou a tantas outros lugares (estes bem distantes do meu quarto) mas quero voltar a ele neste blog e em sua relação com o que me despertou a vontade de aproveitar mais a "minha" cidade, mas nestes primeiros meses do ano tantas coisas me aconteceram que tive que deixar um pouco de lado minha tarefa. Mas as reflexões estão sempre presentes, quer pela janela do meu apartamento, quando observo a cidade dando outros contornos ao horizonte, ou quando me locomovo ou fico parado esperando para me locomover, ou quando leio alguma coisa falando sobre a cidade.
Enfim, São Paulo continua bem aqui e para ser sincero tem feito uns dias lindos desse outono tímido, com um céu azul bem exibido, parecendo rir de quem não tem tempo de observar tanta beleza. Espero corrigir este meu grande erro e arrumar mais tempo para esse espetáculo diário e, é claro, dividir tudo isso com vocês.