sábado, 26 de julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Do outro lado



Essas duas mulheres são irmãs, tem bastante filhos pequenos e uma história em comum. Seus maridos, como tantos outros homens do México, foram trabalhar nos Estados Unidos. Elas chegaram a receber notícias deles, sabem que ambos conseguiram atravessar a fronteira e que estão trabalhando, como tinham planejado quando as deixaram, mas há mais de 2 anos eles não mandam mais notícias, uma coisa comum aqui nesta terra onde a maioria dos homens partem para o Outro lado, como eles chamam aqui os que vão trabalhar no país vizinho.

Fotos de Sierra Mixteca




Sierra Mixteca



Mal deu tempo para tomar o café da manhã e o Iván, responsável pela ong no estado de Oaxaca, estava na pousada. Pegamos a Mariana e a Cláudia, as meninas que trabalham na capital e partimos para nosso compromisso da quinta-feira.

Este é um dos estados do México que tem mais problemas. A população é muito pobre, vivem em povoados onde cultivam entre outras coisas feijão e milho.

Depois de três horas de viagem chegamos na Sierra Mixteca para visitarmos alguns povoados que a ong tem projetos. Um dos principais problemas deles, e do país em geral, é a falta de água. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar que eu tenha ido, dá para ver que eles estão adiantados em, ao menos tentar incentivar a população desse problema mundial. Por exemplo, as torneiras teem um dispositivo, parecido com os recipientes de sabonetes líquidos em banheiros públicos, você precisa apertar de baixo para cima, para que a água saia, e quando solta, o dispositivo bloqueia a saída do líquido, um maneira bastante eficaz para evitar o desperdício.

A ong ensina a população a construir cisternas para aproveitar a água de chuva e constrói banheiros secos, do lado de fora das casas, onde não precisam usar água.

Chegando no povoado de San Sebastian Nicananduta, fomos primeiro encontrar o presidente da comunidade. Entramos num prédio ao lado de uma bela igreja e encontramos uma sala meio escura com cinco homens sentados perto de uma mesa de madeira. Todos usavam chapéus e, com exceção de dois, eles estavam visivelmente bêbados.

Pudemos fotografar sem nenhum problema. Entramos nas casas, conversamos com pessoas que nos contava um pouco de suas vidas. Em quase toda família há ao menos um integrante que tenha ido para os Estados Unidos trabalhar. Praticamente todos atravessaram a fronteira de forma ilegal, se colocando aos inúmeros risco da travessia.

Depois deste povoado fomos ainda a San Jose Monteverde e a Guadalupe Vista Hermosa. A paisagem era deslumbrante.

Estávamos numa camionete grande e por um bom tempo eu e o Érico fomos na carroceria, com toda aquela natureza na nossa frente, sem janelas que nos atrapalhava o contato com o vento forte e a liberdade que tanto préso.

Fotos de Oaxaca




Oaxaca

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Chegamos na cidade do México na manhã de quarta-feira, Como tivemos que esperar em São Paulo a saída dos vistos, nossa programação aqui ficou um tanto apertada. Tem uma Ong nos dando assistência, com uma série de coisas programadas para fazermos. O pessoal do ‘Fonfo para La Paz’, estava nos esperando e sem que solbessemos já tinham comprado nossas passagens para Oaxaca, uma cidade que fica a 1 hora de vôo da Cidade do México.

Desde que cheguei ao país este está sendo o primeiro momento de tranquilidade, isso por que não fui visitar uma comunidade que fica aqui perto. Vou encontrar o Érico e o pessoal da ong depois do almoço. Estou agora num café, em frente a Igreja de Santo Domingo, uma fantástica construção do século XVI, onde testemunhei, no primeiro dia, um grupo de velhinhos dançando, ao som de uma banda local, com um gingado de dar inveja a qualquer lambadeiro por ai.

Já na primeira tarde, saímos para conhecer a cidade. Eu estava muito cansado, mas meu animo foi melhorando a cada quadra. Saímos despreocupado pelas ruas. Nossos anfitriões tinham uma reunião e nos deixou soltos. Partirmos então para nosso primeiro contato com o México.

O cansaço desapareceu quando entrei num mercado, aparentemente lembrava bastante os mercados públicos do Brasil, principalmente um que visitei em Recife o ano passado. Mas quando entrei num corredor fiquei boquiaberto com o que via. Uma confusão danada, com ruídos que não dava para identificar uma palavra, uma luz azul, que na verdade era o efeito dos raios do sol filtrados por um vitral no teto. A atmosfera de filme dos anos 50 ficava ainda mais forte devido a nuvem de fumaça que saia das dezenas de grelhas, nas barracas que vendiam carne e linguiça defumada.

Depois descobri que isso é um problema sério de saúde em Oaxaca. É o costume das pessoas, principalmente as que vivem no campo, defumar as carnes. Mas este contato direto e frequente com a fumaça tem provocado muitos problemas respiratórios e de visão.

Passamos um bom tempo ali, meio que aturdidos com o que vinhamos.
Como naquele primeiro dia na Índia, deixei de lado qualquer cançaso e mergulhei na viagem que estava de fato começando.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Processo, Hamlet e uma viagem adiada.

“Somos esses atores, essas atrizes, dentro desse espelho que nos reflete e reflete o mundo.”

Da peça Hamlet, de William Shakespeare, montada por Aderbal Freire Filho.

Nosso bilhete aéreo estava marcado para partirmos de São Paulo, rumo à Cidade do México, no sábado, dia 19 de julho. Na sexta-feira passamos por uma série de acontecimentos que fez eu me sentir como um personagem do livro de Kafka, mais especificamento do livro ‘O Processo’. Para quem conhece a obra sabe que coisa boa não foi.

O México está exigindo visto de brasileiros. Assim que fiquei sabendo da viagem, comecei a providenciar os documentos que constavam na lista do site do consulado, site este que se tornou a única maneira de comunicação entre você – que deseja visitar o país – e o consulado – que vai dizer se você é ou não bem-vindo.

Os problemas começaram ai, uma das exigências é o passaporte com validade de 01 ano. Quase uma piada, não? Qual outro país pede isso? O passaporte brasileiro só vale por 05 anos, quando você se depara com uma coisa dessa, seu tempo, que já é curto, acaba ficando ainda menor. Pois bem, eu estava entre os brasileiros que não tem um passaporte válido por 01 ano. O meu vencia em fevereiro de 2009.

Como já disse, não tem como você falar com o consulado. Se quiser, entra no site, lê pacientemente todas as informações ali presentes e, caso sua dúvida ainda não conste na lista que eles acreditam serem as mais comum, você pode mandar um email. Faça isso... e espere a resposta!!!

Fui então renovar meu passaporte, mas descobri que, devido a mudança para o novo passaporte brasileiro, tinha uma multidão de futuros viajantes fazendo o mesmo. Agendar uma entrevista? Só para agosto.
Resumindo bastante a história, enquanto eu providenciava a renovação do passaporte o consulado reformulava suas regras para emissão de visto.

Umas 3 semanas depois de começar a renovar o passaporte, consegui finalmente o novo documento. Voltei a tentar o custoso visto. Para minha surpresa não era mais necessário um passaporte com prazo de validade tão extenso, 6 meses agora é o suficiente. Porém, entre as novas normas do consulado Mexicana era um agendamento para entrevista, antes era só ir lá bem cedo, com os documentos exigidos e tirar o visto.

Entrei no site para marcar uma entrevista, mas a data disponível era 18 de julho e minha viagem marcada para 19 de julho e estava escrito que não antecipam a entrega de visto. Bom, mas e a minha história?? Pois é, só você que está lendo esse post é que ficará sabendo dela. A pessoa que me atendeu no guichê do consulado me respondeu assim: não estou interessado em seus problemas... antes mesmo que eu chegasse no meio do relato.

Sem poder perguntar, pedir e explicar que a culpa de estar pedindo o visto tão em cima da hora era da burocracia deles, tivemos que no contentar em remarcar a viagem para o dia 22 de julho.

O Hamlet da história foi a maneira que encontrei para aliviar a tensão e frustração. Passei na Faap e consegui comprar 02 ingressos para a peça, com o Wagner Moura. Já gostava desse ator, mas vendo sua atuação vivendo o papel do príncipe da Dinamarca, umas das peças de teatro que mais gosto, foi como uma visita ao paraíso sagrado que só pelas portas da arte se chega.

Tem uma frase do escritor José Saramago, escrita aqui mesmo nesse blog pela Cris, em um dos posts, que diz assim:
"Até escrever o `O Evangelho Segundo Jesus Cristo´, eu estive descrevendo uma estátua. A partir de então, tratei de me introduzir na pedra".

Li isso em Mumbai, logo no começo da outra viagem. Esse passou a ser nosso – meu e do Érico - lema, como fotógrafo.
Uma das certezas que tive vendo a peça é a de que esse cara conseguiu ‘entrar’ na pedra.

Amanha eu e o Érico partimos para mais uma viagem, dessa vez mais perto, mas para um lugar tão interessante quanto os anteriores. A oudiséia do visto tenho certeza que foi um caso isolado. Continuo na busca para poder fazer o melhor de mim, nessa profissão fantástica que escolhi. Continuo compartilhando com vocês minhas experiências de viagem.
Vamos?